O Que Podemos Saber

O Que Podemos Saber

2014: Num jantar para amigos e colegas próximos, o conceituado poeta Francis Blundy presta homenagem à sua mulher, no aniversário dela, lendo em voz alta um novo poema que lhe dedica: Uma Coroa para Vivien.

Mal sabem os convidados que depois daquele jantar serão várias as gerações a especular sobre a mensagem daquele poema, cujo registo original nunca foi encontrado, permanecendo um mistério.

2119: Pouco mais de cem anos depois, grande parte do mundo ocidental está submersa pela subida do nível do mar após um acidente nuclear catastrófico. Aqueles que sobrevivem são assombrados pela riqueza de um mundo que se perdeu. No sul inundado do que costumava ser a Inglaterra, Thomas Metcalfe, um solitário investigador, idealiza o início do século XXI enquanto persegue o fantasma de um poema. 

Thomas sente fascínio por aquelas vidas selvagens e cheias de riscos, enquanto se debruça sobre os arquivos dessa era distante, cativado pelas possibilidades da vida humana. 

Quando tropeça numa pista que pode levar à descoberta do poema dedicado a Vivien, encontra também uma história de amores entrelaçados e de um crime brutal, que destrói as suas suposições sobre pessoas que julgava conhecer intimamente.

O que Podemos Saber é uma obra-prima, um tour de force filosófico, uma história de amor sobre pessoas e as palavras que elas deixam para trás, um enredo detectivesco que resgata a nossa actual sensação de catástrofe iminente e imagina um mundo onde nem tudo está completamente perdido.

 

📚 O Que Podemos SaberO Que Podemos Saber, de Ian McEwan

Há romances que contam histórias. E há romances que fazem perguntas — daquelas que ficam a ecoar quando fechamos o livro. O Que Podemos Saber pertence claramente à segunda categoria.

Nesta obra, Ian McEwan mergulha-nos numa narrativa íntima e filosófica, onde o amor, a memória e a busca pela verdade se entrelaçam como fios invisíveis. A história acompanha um casal cuja relação é atravessada por uma revelação inesperada — uma descoberta científica que promete responder a uma das maiores inquietações humanas: até onde podemos realmente conhecer o outro? E, mais fundo ainda… até onde podemos conhecer-nos a nós próprios?

Com a elegância precisa que já conhecemos do autor de Expiação, McEwan constrói um romance que oscila entre o íntimo e o universal. A ciência surge como farol — mas também como abismo. A verdade parece libertadora, mas pode ser devastadora. Porque saber tudo nem sempre significa compreender melhor.

O livro levanta questões atuais e inquietantes sobre ética, tecnologia e identidade. Num mundo cada vez mais obcecado por dados, respostas imediatas e certezas absolutas, McEwan sussurra (ou talvez grite, subtilmente): será que estamos preparados para lidar com todas as verdades?

A escrita é sóbria, elegante e profundamente humana. Não há excessos — apenas aquela lucidez quase cirúrgica que nos obriga a parar, respirar e pensar.

Uma leitura para quem gosta de romances que desafiam, que provocam e que deixam a mente a fervilhar muito depois da última página.

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